Esta nota visa esclarecer o leitor sobre as decisões que me levaram a editar através da plataforma online Bookmundo.
Por volta de 2022, quando escrevi o meu primeiro projecto
(até à data não publicado e que dá, por enquanto, pelo nome de “Elias e o Carro de Fogo”, uma espécie de uma mistura
entre livro de viagem e autoficção) mergulhei, em apneia, no mundo editorial
português.
Foi-me preciso um pouco de tempo para perceber e
descobrir o funcionamento mínimo desse meio aquático onde a fauna, mesmo que
numerosa é, em grande parte, idêntica, dividindo-se basicamente em três grandes
famílias: as grandes editoras, as “vanitys press” e as pequenas editoras
independentes. Sem necessidade de entrar em grandes detalhes sobre as orgânicas
do meio editorial português que não difere muito do funcionamento de qualquer
outro ecosistema cultural e artístico nacional abreviarei da seguinte maneira: numa
grande editora não se entra assim do pé para a mão, ou se tem a sorte de ganhar
um concurso literário, ou se fez estudos em literatura e se é mesmo muito bom,
ou conhece-se este ou aquele e pronto, está feito (a esse sujeito a editora
Relógio de Água tem no seu site um bom artigo). Segundo grupo: as “vanitys
press” são editoras em que o escritor ou pretendente a, paga (e bem) para
publicar o seu livro, daí o termo vanity de vaidade, alimentando-se do desejo,
do ego, presumo também que, às vezes da ingenuidade de quem escreve e sonha em
publicar um livro. O autor tem, nestes casos, de avançar com a compra de um
certo número de originais ou pagar os custos associados ao serviço de
impressão, por exemplo. Depois, as editoras independentes, estruturas pequenas,
às vezes mesmo monoestruturas. Neste grupo existem basicamente dois tipos de
editoras: aquelas que publicam novos autores portugueses e aquelas que
constroem um catálogo, eclético e à imagem do seu editor, em grande parte a
partir de livros traduzidos, uma espécie de curadoria do livro compondo assim
uma proposta ideológica particular, de dizer que estas editoras normalmente
autogerem-se e que é praticamente impossível viver dessa actividade tendo os
editores outras fontes de rendimento.
Entre o tempo que levei a tentar compreender e descobrir
todo este Universo e o tempo de não encontrar quem me editasse “Elias e o Carro
de Fogo” passaram-se quase dois anos e foi precisamente durante esse tempo que
decidi e iniciei a escrita daquilo que considero o meu primeiro verdadeiro
romance. De realçar que tive, no entanto, algum retorno sobre o meu primeiro
manscrito (tenho de o dizer em defesa de algumas destas pequenas editoras que
contactei): uma disse-me que escrevia bem mas que o conteúdo não era o que eles
procuravam, queria ver novas coisas, outras agradeceram, orçamentos curtos,
fazer escolhas, etc. tendo tido também a sorte de ter recebido uma critica
bastante constructiva da parte de um desses editores apontando-me problemas e
concelhos à minha escrita, que me levaram a reflectir sobre o caminho a seguir.
A primeira versão de “Os três Romenos” foi terminada em
meados de 2024, à partida abandonara toda e qualquer tentativa de procurar uma
editora que o publicasse participando, no entanto e sem sucesso em dois ou três
concursos literários. Durante esses tempos de espera estudei também as
possibilidades da auto-edição, mas, dada a distância a que me encontro da terra
e lingua mãe (o que aumenta exponencialmente os custos de impressão e
distribuição do número ridículo de exemplares que possa vir a vender com isto)
abandonei a ideia e foi aí que descobri a plataforma Bookmundo e a alternativa
(com estas novas tecnologias) do print-on-demand (impressão à encomenda),
recuso a Amazon por uma questão de princípios. Na plataforma aprendi a paginar
o meu livro, criei a minha capa, projetei o meu preço, podia fazer a minha página
de venda e ter o livro disponível na internet para quem o quisesse comprar e já
tinha tudo quase pronto para o publicar quando na sequência de um desses
concursos acabei por ter uma resposta de uma pequena editora com quem entrei em
contacto e deixei a Bookmundo em “stand-by”. Não tinha sido selecionado porque
o meu manuscrito era muito grande, mas depois de alguma insistência da minha
parte, de ter revisitado, revisto e reduzido o livro tive a oportunidade de
assinar um contrato para a sua edição.
As coisas, não são, no entanto, como nós desejamos e no
meio disto tudo houve pedidos para a alteração do titulo do livro, objectivos de
pré-venda impostos, tempos de espera enormes sem retorno e sem avisos ou
opiniões sobre o manuscrito e uma capa horrível à qual a minha imagem ficaria
para sempre associada. Isto obrigou-me a repensar o que realmente queria
levando-me a romper (com custos, evidentemente) o contrato anteriormente
assinado. Arrependi-me das decisões
anteriormente tomadas e de forçar algo que não era para mim. Talvez tenha ainda
de aprender a largar, a deixar passar, a continuar a seguir e a sentir os meus
instintos.
O que queria eu afinal, ou, o que quero eu com os meus livros
enfim? Importa-me assim tanto ser publicado “oficialmente” por um editor, ter
livros nas pequenas livrarias independentes de Portugal, ser reconhecido pelos
meus, pela sociedade cultural do burgo, sucesso, alimentação do ego, status-quo?
Para vender meia dúzia de livros a alguns amigos não preciso de tanto. Não!
Para vender meia dúzia de livros não preciso de tanto.
A mim, o que me interessa é o objecto em si, a obra de arte no seu todo, não me faz sentido criar um objecto que não tenha a linguagem ou represente verdadeiramente aquilo que eu quero transmitir e que não se enquadre no meu discurso artístico nem no meu Universo e de todas as editoras que descobri não existem muitas com esse perfil, talvez também não estejam interessadas e foi por isso que me voltou esta ideia de publicar através da Bookmundo.
Para este fim criei as Edições do Pó, anagrama das minhas
iniciais e micro/auto editora que me relembra do estado de onde vim e para onde
irei, cabendo-me assim, a mim, a difícil tarefa de tomar todas as decisões
editoriais relativas aos meus projectos escritos (como neste caso em particular
por exemplo: voltando a acrescentar ao livro a introdução de cada um dos três
romenos), mas, sobretudo, permitindo-me compilar e uniformizar graficamente
todo o meu trabalho, bandas desenhadas, livros de artistas, romances, poemas,
etc, dentro de uma única linha gráfica e editorial, disponível através da
plataforma e do meu site e onde, o primeiro livro publicado é precisamente
este.
O Livro està disponivel no link:
Os Três Romenos - Oliveira Pedro
Oliveira Pedro, 2026






