Emma – Obituarium
– estimada entre fim de 2011 inicio de 2012 – 2026
A Emma, a minha
velha rafeira por acréscimo e adpoção foi encontrada na rua, nunca percebi bem
os detalhes que a levaram da rua ao canil, do canil à minha sogra e da minha
sogra à minha mulher, mas sei que foi lá pelo Verão de 2012 que ela
efectivamente a adoptou! Eu, cheguei a esta história três anos depois e a
princesa que andava à pendura no carro da Camille começou a perder espaço. De pendura
para o banco de trás, da cama para o sofá, com a chegada do Gabriel, ainda
menos espaço, um cestinho no chão, depois veio o Elias e depois ainda o
Marius e no meio disto tudo a primeira tornou-se a ultima da lista, perdeu mordomias
e saiu por força das circunstâncias da lista de prioridades.
Mesmo se tivesse
toques de labrador e border collie tinha pânico à água, aos trovões, aos relâmpagos, aos tiros (não faltam na Córsega) e tudo o que seja barulhos de explosões no geral, traumas, foi atacada por um pitbull, numa fatídica
véspera de Natal perdeu um olho (não vale a pena entrar aqui em detalhes de
como foi), mas no meio disto tudo e tirando estes longos meses finais, acho que
teve uma vida de cão bastante feliz! Passeava todos os dias, horas de
caminhadas na praia, na floresta, a correr com o Faro (o cão dos meus sogros) enquanto este foi vivo, livre
e sem trela, a comer sempre Pedigree, e a roer ossos e a cheirar por todo o
lado, a caçar ratos e lagartixas, e a receber festas e mais festas e mais festinhas. Ah, a minha Bibi!
Morreu!
Enterrámo-la
ontem, no dia da sua morte, o onze do seis, não escondemos dos miúdos, faz
parte da vida, pegámos neles depois da escola, ela jazia no carro e fomos para
a floresta onde ela amava passear e subir aos velhos muros de pedra, trouxe uma
pá, e cada um, um presente, uma pequena lembrança para a sua tomba.
Deitei a minha lágrima,
talvez chore mais por um cão do que por um homem, talvez sejam assim os homens,
sensibilidades estranhas, fez-me pena, remorsos, talvez lhe pudesse ter dado
mais, tratado melhor, feito mais atenção, talvez, talvez, talvez, agora é
tarde, já foi! Ficou um vazio nesta casa, tudo é água, tudo é passageiro, tudo
vai, nada fica, só ficamos nós, com nós mesmos.
É a morte, temos
que estar preparados para ela pois é a única certeza que temos nesta vida.
Repose en paix ma chienne
